
(Foto: ABRAÇO BRASIL )
A indefinição sobre a
publicação do Plano Nacional de Outorgas (PNO) destinado às regiões Sul e
Sudeste tem provocado preocupação e cobrança entre representantes da
radiodifusão comunitária brasileira. Desde setembro do ano passado, a proposta
aguarda análise na Casa Civil da Presidência da República, sem qualquer
encaminhamento oficial, o que tem gerado insatisfação entre entidades e
comunicadores que aguardam a abertura de novos processos para concessão de
rádios comunitárias.
A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço Brasil) acompanha o
tema e cobra maior transparência do governo federal sobre os motivos da
paralisação. A avaliação da entidade é de que a demora amplia a insegurança de
centenas de associações comunitárias, especialmente nos estados do Sul e
Sudeste, onde há uma demanda histórica pela abertura de novos editais e pela
ampliação do acesso à comunicação comunitária.
Geremias dos Santos, presidente da Abraço Brasil, criticou a lentidão no
andamento do processo e afirmou que a radiodifusão comunitária não pode
continuar sendo tratada como pauta secundária pelo poder público. “Estamos
falando de um processo que está parado desde setembro do ano passado, sem
explicação concreta e sem qualquer previsão oficial. As comunidades têm
esperado, as entidades têm dialogado e apresentado suas demandas, mas até agora
seguimos sem resposta. Isso gera frustração e demonstra que a comunicação
comunitária ainda não está sendo tratada com a prioridade que merece dentro do
governo”.
Santos também destacou que o Plano Nacional de Outorgas representa uma
ferramenta estratégica para ampliar o acesso à radiodifusão comunitária e
fortalecer o direito à comunicação em diferentes territórios do país. “O Plano
Nacional de Outorgas é fundamental para que novas rádios comunitárias possam
surgir e cumprir seu papel social nas cidades, nas periferias, no interior, nas
comunidades tradicionais e onde muitas vezes os grandes veículos não chegam. Principalmente, quando o novo PNO vai beneficiar cerca de mais de 1.200 municípios. Quando esse processo fica engavetado, quem perde é a população, que segue sem
acesso a meios de comunicação comprometidos com a realidade local e com o
interesse público”, declarou.
A Abraço Brasil reforça que a publicação do PNO vai além de um procedimento
administrativo. A entidade lembra que a abertura de novas outorgas está
diretamente ligada à democratização da comunicação, à diversidade de vozes e ao
fortalecimento da cidadania. A expectativa do movimento era de que, com a
retomada do debate sobre políticas públicas de comunicação no atual governo,
houvesse avanços mais concretos também para o setor comunitário. No entanto,
passados meses sem definição, a avaliação é de que o impasse precisa ser
enfrentado com urgência.
A Abraço Brasil informou que seguirá acompanhando o tema e cobrando
posicionamento do Executivo Federal. Para a entidade, a publicação do Plano
Nacional de Outorgas para Sul e Sudeste é uma medida necessária e urgente para
garantir que a comunicação comunitária continue crescendo como instrumento de
participação popular e fortalecimento da democracia brasileira.