
(Foto: ABRAÇO BRASIL )
A Abraço Brasil voltou a cobrar do governo federal medidas
concretas de apoio às rádios comunitárias do país. A entidade afirma que,
apesar dos compromissos assumidos no início do atual mandato de Luiz Inácio
Lula da Silva, o segmento segue sem avanços significativos em políticas
públicas e financiamento.
Segundo a associação, havia expectativa de que um novo
edital da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
possibilitasse o repasse de recursos para emissoras comunitárias. A iniciativa,
no entanto, ainda não foi lançada, frustrando as expectativas de centenas de associações de rádios espalhadas pelo país.
Além disso, os Planos Nacionais de Outorgas (PNOs),
considerados fundamentais para ampliar o acesso de comunidades ao serviço de
radiodifusão comunitária, seguem parados. Para a entidade, a falta de avanço
também se reflete na tramitação de projetos que tratam de melhorias para o
setor, que não receberam prioridade no âmbito do governo federal.
Em novembro do ano passado, a Abraço Brasil também
encaminhou um ofício ao ministro chefe da Casa Civil, Guilherme Boulos,
solicitando uma agenda para tratar das demandas do setor e no ofício foram apresentadas
todas as reivindicações da categoria, inclusive foi solicitada uma audiência com o presidente
da República Luís Inácio Lula da Silva para discussão de caminhos para
fortalecer a radiodifusão comunitária no país. Conforme a entidade, até o
momento não houve retorno ao pedido de reunião e nem respostas as demandas
apresentadas no ofício.
O presidente da entidade, Geremias dos Santos, avalia o
cenário como preocupante e cobra maior comprometimento do Executivo com o
fortalecimento da comunicação comunitária. "A situação hoje é caótica. As
rádios comunitárias cumprem um papel social fundamental nas comunidades, mas
seguem sem políticas públicas efetivas. Havia uma expectativa muito grande em
relação ao novo edital da Secom e ao avanço dos PNOs, mas até agora nada saiu
do papel. O governo precisa retomar o diálogo com o setor e transformar os compromissos
assumidos em ações concretas”, afirmou.
A Abraço Brasil também reivindica um PNO exclusivo para as
comunidades indígenas e quilombolas. O presidente da Abraço Brasil sonha com um
país onde todas as comunidades indígenas e quilombolas tenha o seu meio de
comunicação popular, já pensou, todas as 391 etnias indígenas com a sua rádio
comunitária?
A Abraço Brasil representa emissoras comunitárias em todo o
país e defende a ampliação das políticas públicas voltadas à comunicação
popular, incluindo financiamento, desburocratização e atualização da legislação
que regula o funcionamento dessas rádios. Segundo Santos, sem medidas
estruturais, muitas emissoras continuam enfrentando dificuldades para manter
suas atividades e garantir o acesso das comunidades à informação local.